Retardar a obsolescência

Todas as coisas e os seres ficam velhos, quer por desgaste natural ou fadiga do material, quer pelo envelhecimento da tecnologia empregada para garantir o funcionamento. O computador, com a sua tecnologia, é um belo exemplo, onde o material empregado não chega a entrar em processo de fadiga, porém a sua tecnologia de funcionamento – principalmente a velocidade dos chamados processadores é aumentada a cada intervalo de 12 meses ou menos.

Determinados produtos não impõem grande esforço ao material de que são feitos e têm ou deveriam ter enorme durabilidade, mas não o têm. Assim, certos fabricantes, de acordo com a filosofia do consumo de massa, programam a obsolescência do seu produto a partir de:

  • tecnologia de materiais que reduzam custos de produção e de vida útil mais curta;
  • tecnologia de funcionamento prestes a ser substituída por outra já desenvolvida e aguardando o momento de entrar em novos projetos;
  • projetos de engenharia do produto que desconsideram ao máximo a opção de reparos;
  • marketing voltado para o “compre novo, não conserte”, conforme ilustra a figura abaixo:

conserte

Como você pode perceber, ambas as formas de pressão, se fossem equilibradas, teríamos menor ameaça ao ambiente e à sustentabilidade da equação entre consumir e não agredir a qualidade de vida, reduzindo a velocidade de entulho do ambiente.  O desequilíbrio se estabelece na medida em que não se conserta mais nada e, ao mesmo tempo, é forte o apelo publicitário pela aquisição de unidade nova.

Uma proposta de reequilíbrio passa obrigatoriamente por estruturar o sistema de conservação dos bens, aumentando-lhes a vida útil.

Prezado leitor, tenho idade suficiente para ter  a oportunidade de viver o tempo em que era absolutamente normal encontrar pequenas e médias lojas de consertos, cuja atividade prolongava a vida da nossa geladeira  “Frigidaire” e televisão “Telefunken”, marcas da época. Minha alfabetização sempre foi acompanhada de uma iniciação profissional, onde se aprendia pequenos consertos domésticos e nos habilitava para trabalhar ou “ter” uma pequena oficina. Esse era o ambiente de sustentação da cultura de consertar e aproveitar bem o item que se comprava para a casa. Convenhamos, fundamento cultural das pequenas e medias empresas que, no Brasil, representam mais de 85% dos postos de emprego.

A manutenção, como atividade logística, requer a gestão dos seguintes fatores:

  • mão de obra
  • ferramental
  • peças de reposição
  • instalações
  • tempo.

Para cada um destes fatores deve existir uma rede (relação de clientes-fornecedores) com um custo que, como estamos ensaiando e a figura abaixo mostra, de 3,5% do preço de venda do produto, no caso uma bicicleta.

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Observe, caro leitor, que não custa caro assegurar-se da manutenção do bem comprado. Retardar o processo de obsolescência daquilo que compramos pode não ser conveniente sob a ótica de parecer alguém sempre atualizado, conforme valores repassados pelo marketing dos fabricantes. Sob a ótica de respeito e conservação do ambiente em que vivemos, essa é uma atitude inteligente e economicamente sustentável. Temos uma decisão de comprar menos e manter os postos de trabalhos, garantindo a vida econômica de muitas famílias, sem qualquer agravo ao nosso ambiente.

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