Inovação e princípios

Desde muito cedo, bem antes de me iniciar na linguagem simbólica, a vontade de fazer as coisas de um modo diferente me fascinava. Sempre tive clara noção sobre a forma de organizar a vida, mas a vontade de mudar fez com que fizesse algumas escolhas de ícones. Hoje, percebo que a minha escolha por um personagem de revistas em quadrinhos, o Professor Pardal, faz todo o sentido ao longo dos meus sessenta e três anos. Não é sem razão que estou escrevendo este texto sobre inovação, tendo a minha frente uma rich picture*  que mais parece uma página daquela gostosa revista da minha infância.
pardalA figura ao lado mostra o simpático personagem que agora, discutindo sobre as características da inovação e instrumentalizado pelas abordagens administrativista e simbólica, percebo o alcance do seu criador  Carl  Barks, em 1952.

Ele era um inventor que morava numa cidade onde era muito querido e sempre tinha bons princípios e carinho para com as pessoas, apesar das trapalhadas que algumas das suas invenções causavam. O fundamento da inovação é sempre o bem comum.

Ele é um galo em forma humana e este animal, muito comum no Brasil, especialmente no interior e arredores das grandes cidades, tem uma simbologia muito especial, na historia da evolução dos povos e que se aplica inteiramente aos processos da criatividade e da inovação.

O galo anuncia o amanhecer, o nascer do sol. Ele traz consigo a boa nova, com bondade e a luz sobre o desconhecido (a noite). A inovação também é envolta em tal aura. Ela gera conhecimento e ganho financeiro para alguns mas, em geral, significa melhorias universais a todos os seres.  O anúncio do conhecimento sobre o fim da noite do não saber.

O Professor, quando decidia por desenvolver uma invenção, ele colocava o seu “chapéu de pensador” que, em forma de um telhado continha na chaminé um ninho com três corvos.Então, pensar para inovar é um ato volitivo. O telhado é a conclusão da obra, alicerçada em conhecimento e em tudo aquilo que o galo humanoide simboliza, ou seja, conhecimento mais fineza de propósitos para melhorias e novos amanhãs para a nossa espécie. Decidir por colocar o chapéu e se lançar para o novo – incluindo escrever um texto.

O corvo é um símbolo forte que mostra os três momentos do sol: o nascer, o seu ponto máximo ao meio dia e o seu poente. Significa o conhecimento completo; a luz nas suas três manifestações. Ele também pode representar a boa nova para o homem. Você, caro leitor, pode estar estranhando que eu esteja escrevendo tudo isso sobre o animal, mas saiba que me reporto ao saber original, antes da igreja intervir no curso das crenças e atribuir a noção que se tem atualmente sobre o corvo. Na terra do criador do personagem, esse animal ainda preserva tal simbolismo. A construção de algo inovador segue o movimento descrito para a luz, conforme simbolizado. Aliás, qualquer produto material desenvolvido, assim o é.  Três corvos aninhados sobre o chapéu é assunto para mais adiante, em outro departamento.

Nosso personagem tinha um ajudante que era um robozinho muito esperto e inteligente: o Lampadinha, cuja foto segue abaixo.

lampadinhaEle tinha um corpo feito de tubos e uma lâmpada fazendo a vez de cabeça.Tenho agradáveis lembranças da inteligência e hiperatividade do ser desenvolvido pelo Professor e que se tornou o seu grande suporte.

Observe mais uma vez a luz presente no personagem que herdou do seu construtor, os fundamentos requeridos e desejáveis. Não basta ao inovador ser uma pessoa integra; a sua obra deve representar tais atributos. E as luvas brancas? cabeça iluminada e mãos limpas?

Pois tal simbolismo representa a firmeza de propósitos e a grandeza de princípios norteadores, incapazes de macular a obra final. Assim deve ser a aplicação de nosso conhecimento no desenvolvimento e condução de um projeto, construindo saber e bem estar ao próximo. A ganância financeira e o desvirtuamento pertencem a outro patamar – o digam os descobridores da manipulação da energia atômica.

Posto isso, até o próximo.

Nota:

* Rich picture: expressão dada ao método de desenhar um esquema de idéias envolvidas, para a resolução de problemas complexos. E para produzir um texto, também.

Como vai o seu trabalho?

Em tempos de crescente sumiço dos postos de trabalho, aumenta de importância a avaliação sobre cada um dos requisitos exigidos para se manter empregado ou, se for o caso, voltar para o chamado mercado de trabalho. Muitos afirmam pela imprensa que “a coisa não tá fácil”: eu digo que nunca esteve fácil, especialmente quando a estrutura e as contingências econômicas do país não ajudam. A luz no fim do túnel se mantém acesa, apesar da crescente ansiedade, pela dinâmica auto avaliação sobre a sua força intangível do conhecimento e o quê ele pode representar, como fator competitivo pela desejada e necessária vaga.

Aquilo que o mercado afirma sobre a capacitação dos candidatos, nada mais é que o nível de atualização da base genérica e daqueles pontos que o fazem diferenciado. Como está a sua formação geral e a sua atualização?

Caro leitor, acabo de ser assaltado por uma dúvida sobre para quem escrevo esse artigo. Para aquele que está empregado ou para aqueles que estão na condição de procuradores, em busca de nova colocação? Eu mesmo respondo: para ambos, isso serve para quem está bem acomodado e tranquilo com a sua vaga garantida. O mercado de trabalho e a economia do Brasil passam por uma revolução descendente. E, mesmo que o quadro não fosse assim, monitorar o nível e a qualidade dos seus conhecimentos é fator diferencial para a atuação nesse mercado. Embora empregado hoje, gere sustentabilidade para a sua atual vaga e  compita pelo futuro, monitorando e atualizando constantemente os seus conhecimentos.

job

Não espere a situação ficar assim como na foto ao lado, onde o ator de terno e gravata, com um tablet na mão, onde se lê em inglês, que ele procura por emprego. Sentado e recostado à beira do caminho!

O ser humano mensura tudo com o emprego da comparação; é imprescindível para a nossa mente que se tenha algo , uma referência com a qual se possa comparar aquilo que  queremos saber. Então, necessitamos construir algo para poder comparar o nosso conhecimento e saber se ele está bem, de acordo com aquilo que é exigido para se manter e ou retornar ao emprego.

Outro requisito muito falado e pouco entendido é a expressão “ter experiência”, tanto que é apontada como uma das principais dificuldades ao primeiro emprego.

Recapitulando: primeiro, ter e manter o seu conhecimento atualizado e, segundo, ter experiência. Vamos ao conhecimento. Existem duas maneiras de ele envelhecer, ficar obsoleto:

  • você se apegar à rotina da sua função e se esquecer de se atualizar;
  • mudanças tecnológicas com novas exigências, que você não se apercebe, quer em razão do item anterior, quer em razão de que o novo rompe com o conhecimento de até então e você não tem nem a base requerida para perceber.  Se desempregado, é a ansiedade que bloqueia a sua percepção e lhe desestimula para o novo.

A experiência, na verdade é o grande processo de aprendizagem e conhecimento. Não basta que você saiba ler muito bem uma receita de bolo; você já fez, a partir de uma receita, um bolo de sucesso. Tem experiência de aplicar na prática, aquilo que lê? Tem gente que passa a sua adolescência atribulada por escassez de dinheiro e enormes dificuldades e, mesmo assim, de forma organizada, obtém o seu diploma técnico ou universitário. Quando chega na entrevista diz que não tem experiência! Lembre que, para o desempenho do cargo ao qual está se candidatando você receberá treinamento, ou seja, mais um conhecimento específico, construído pela experiência aplicada.

experiência

Quando lhe perguntarem sobre experiência considere a hipótese de afirmar que soube se conduzir, num período naturalmente conturbado, cujo resultado é o diploma anexado no currículo e a própria realização dessa entrevista.Você experimentou a vivência de chegar até a sua primeira entrevista de admissão ao primeiro emprego. Você é um especialista, como mostra a foto acima.

Assim, avalie-se constantemente, leia e mantenha-se em dia com os acontecimentos e promova maneiras de vivenciar um aprendizado baseado também na experiência. Não espere pela demanda do mercado de trabalho lhe atropelar e lhe dizer que o seu conhecimento envelheceu ou que não serve aos requisitos da vaga oferecida.