Entropia e o conhecimento

Entropia é  o nome que se dá para a tendência que apresenta todo o corpo organizado e que interage com o seu meio, de caminhar para a desorganização.  Nós nascemos, nos desenvolvemos e morremos, apesar de todo o esforço empreendido para retardar o final. Esse conhecimento é trazido da física e, portanto não fica velho. Para mudá-lo, somente se ocorra uma evolução no saber básico da ciência.

A empresa é uma organização, idealizada pelo homem, para alcançar determinados resultados, a partir do emprego combinado de diversos recursos tangíveis e intangíveis. Esses recursos são obtidos no ambiente que ela se insere. Os resultados devem ser expressos em linguagem financeira, social e ambiental. Portanto, ela também está sujeita ao fenômeno da entropia. E por que as empresas parecem não obedecer o ciclo? Porque existe uma ação denominada por entropia negativa, que é o conjunto de ações deliberadas pelo homem para vencer (ou retardar) os efeitos do fenômeno. Ir ao médico e praticar a medicina preventiva faz parte da entropia negativa? Sim.

A figura abaixo mostra uma das diversas técnicas de representar a empresa no seu ambiente de inserção.

ambientes

Fonte: slideplayer.com.br  

Os recursos estão e são geridos de dentro da empresa, conforme apontam as ameaças e as oportunidades, percebidas como tal, pelo administrador. Neste artigo, destaco o conhecimento organizacional e como ele pode ficar ou ser tornado obsoleto em função da entropia que lhe acomete de forma natural, como já foi explicado, ou de maneira deliberada para colocar a empresa em situação de vantagem.  O conhecimento também envelhece e fica obsoleto.

Hoje, a empresa, juntamente com o seu grupo de fornecedores, têm na gestão do conhecimento organizacional uma decisiva ferramenta para se colocar e manter à frente dos seus concorrentes. Segundo diz Celso (2007), no seu trabalho de conclusão da pós-graduação:

[…] que é a disposição organizacional para vencer e utilizar o fenômeno da obsolescência estrategicamente a seu favor, faz ressaltar a competência essencial a ser focada em qualquer organização que queira se manter competitiva através da ininterrupta sucessão de vantagens competitivas imediatas – o ciclo de vida da demanda por conhecimento na organização e […] ao conjunto de todos os estágios pelos quais passa a necessidade humana se chama de ciclo de vida da demanda por tecnologia.

Então: o conhecimento sofre a entropia e fica obsoleto por:

  • a empresa não se apercebe sobre a qualidade do seu conhecimento, ou o mantém defasado, propositalmente;
  • o cliente quer mais tecnologia e “avisa” comprando algo mais moderno.

Como você pode observar, para o caso do conhecimento como recurso, a entropia negativa pode ser fonte de forças da empresa para aproveitar uma oportunidade. Essa tecnologia de desenvolver e controlar diferentes velocidades de apropriação e disponibilidade do conhecimento é conhecida como clockspeeds. 

Você pode estar comprando um bem que já venha com tecnologia defasada, de fábrica. Assim, um futuro novo produto para substituir aquele comprado, poderá conter uma tecnologia que já existia e estava guardada para uma outra oportunidade, especialmente se o concorrente não tiver nada de melhor para oferecer ao mercado.

máquinas

Não compre uma máquina de escrever pois os computadores fazem mais e melhor. O leitor certamente não está se dando conta de que essa encruzilhada não é tão antiga assim. Que tal um carro elétrico em substituição ao velho e ultrapassado motor de combustão interna, movido a combustível fóssil? Já está no mercado!!

A tecnologia sobre o veículo elétrico já esta muito desenvolvida e disponível, enquanto que a atual vem vendo retardada, especialmente através de barreiras políticas ligadas à organização econômica mundial.

Esse fabricante esta estabelecendo uma vantagem competitiva espetacular, competindo pelo futuro, numa evolução tecnológica sem volta.

tesla

 

Referências:

VAN LEEURVEN DA SILVA, Celso. A PLATAFORMA LOGÍSTICA COMO ORGANIZAÇÃO FOCAL, NO CONTEXTO DA SUPPLY CHAIN MANAGEMENT: O modelo SCOR como ferramenta de coordenação.Trabalho de conclusão de pos-graduação. Biblioteca do UNILASALLE. 2007.

Cenário logístico da reciclagem

O cenário mundial sobre a produção de bens e o tratamento dos resíduos sólidos, líquidos e gasosos, decorrentes da atividade industrial, além daqueles gerados pelo fim da vida útil do item produzido, está sintetizado no esquema abaixo.

ciclocompleto
Fonte: autor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A industria de base extrai o produto da natureza e produz a matéria prima para a indústria de transformação. São exemplos as mineradoras que retiram os minérios, as fundições e laminadoras que transformam tais minérios em chapas de aço.  Esse é um ponto de elevado consumo de energia, água e outros insumos. A industria de base tem processos de apoio destinados a tratar os resíduos provenientes do seu processo principal de produção, restando um final ambientalmente adequado, como apregoa a legislação brasileira.

A indústria de transformação estruturada como ponto de encontro de diversos fornecedores, organizados em níveis (fornecedor do fornecedor da indústria), tem como partida a indústria de base e as fontes de energia e de outros insumos. Também aqui existem processos de apoio para se tratar os resíduos do processo produtivo. O tratamento da água utilizada é um exemplo. Quando o resultado permite, ela é restituída ao meio ambiente; caso não, ela passa para reservatórios ligados a redes de distribuição exclusiva para outros empregos na própria instalação.

O mercado consumidor, conceituado como a população economicamente ativa dentro de um espaço geográfico determinado, recebe uma enorme pressão para que compre. Essa pressão é sistematizada, a partir de, um processo estratégico de apoio na industria de transformação. Esse processo e conhecido com ” Marketing”. A atividade (representada pela seta amarela no esquema) estuda o mercado consumidor e fundamenta as ações de venda em cinco pontos principais:

  • o produto em si, design, funcionalidades, cores, desempenho, etc;
  • o preço, onde é indicado o preço que as pessoas aceitariam pagar em comparação com a planilha de custos da produção;
  • a segmentação desse mercado segundo critérios econômicos, sociais e geográficos;
  • a distribuição física do produto no território considerado
  • a propaganda e campanhas promocionais para a alavancagem das vendas.

Essa estrutura de suporte para as vendas determina uma enorme pressão de compra. Muitos e modernos recursos são utilizados para se manter em expansão os resultados da indústria.

Nesse ponto começa o nó da logística reversa. Dar destino as embalagens com as quais o seu produto foi protegido para chegar integro até você. Simples: retiro o produto de dentro da caixa de papelão, coloco o isopor e o plástico bolha de volta dentro da embalagem vazia e largo na calçada para os catadores levar. Chove torrencialmente por três dias!!! Ninguém aparece para levar e o seu resíduo foi ajudar a entupir os esgotos. Podemos piorar o quadro: o que fazer com o “produto velho”, que não é papelão?

Ressalto que no parágrafo que escrevi sobre a industria de transformação nada consta sobre um suporte de pós venda para sistematizar um processo de tratamento para o resíduo, reconvertendo-o até a industria de base para reaproveitamento. Observe a diferença de tamanho entre as setas vermelhas no esquema. Essa diferença representa a quantidade de resíduos que ficam abandonados, entulhando e poluindo a natureza.

Segundo a legislação brasileira a logística reversa é: “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”. (Lei 12.305 de 02/08/2010)

Como se vê, a destinação dos resíduos só pode ser uma “ambientalmente adequada”. Só não acontece porque esse processo de apoio ao tempo do pós venda, deveria ser, de alguma forma planificado pela industria de transformação. Esse poderia ser mais um nível de fornecedores da industria. Outra opção, ainda na mesma linha, seria sistematizar o suporte com fornecedores de serviço de manutenção, certificados pelo fabricante, de maneira a aumentar a vida útil do bem adquirido. Isso diminuiria a pressão sobre a natureza.

Enquanto isso, o Brasil anunciou em 2014 que teria a primeira fábrica da América Latina de reaproveitamento de material dos veículos sucateados, conforme foto abaixo.

sucata

 

 

 

 

 

 

Continuamos, já em 2016, aguardando a tal fábrica

Referências

http://www.portalresiduossolidos.com/reciclagem-de-automoveis/

A Obsolescência e a garantia

Avaliando a situação atual do sistema de garantias dos produtos duráveis, se observa que, em regra, as letras pequenas nos contratos, têm enorme valia para a proteção contra a pane, defeitos ocultos ou, até mesmo, a obsolescência precoce daquilo que foi adquirido.

No Brasil, vale a regra geral de tomar cuidado com as letras miúdas, se lhe for oportunizado um contrato por escrito.

contrato

Normalmente a garantia lhe é oferecida por um ano, onde, as diversas condições limitantes para que tal ocorra, são inseridas em localização e tipo de letras que as pessoas não leem e assinam o documento.

Observe, caro leitor, que estamos nos reportando somente a panes e defeitos ocultos que, infelizmente, parecem aguardar o vencimento da garantia para se apresentar; não parece, é tudo devidamente programado. De vez em quando ocorre um imprevisto no plano, que é solucionado com a troca do produto, não sem antes submeter o consumidor a um ritual desgastante.

A legislação brasileira, capitaneada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), bem representa a cultura estabelecida (como de resto, toda a legislação de um país em determinado período). Observe que o título da lei tem lado. A lei acresce três meses (garantia legal) ao prazo contratual de um ano, ofertado pelo fabricante*. Portanto, são quinze meses que o produto comprado está garantido, sob os termos e as condições expressas no pacto escrito. A partir desse prazo, tudo fica por conta do desgaste pelo uso do equipamento. A propósito, continuando com o exemplo sempre utilizado nos meus textos, temos uma geladeira que tem vida útil de seis anos (setenta e dois meses), com uma previsão estatisticamente estabelecida de dois consertos, assim fica: você tem 57 meses completamente a descoberto e com enorme probabilidade de ter que bancar dois consertos; ante a ocorrência do terceiro, com certeza você compra um produto novo. Aliás, os estudos demonstram que 80% das panes ocorrem nos primeiros 24 meses. Daí a razão para o conhecimento popular de que os produtos só esperam acabar a garantia para estragarem de vez; os fabricantes fogem desse período.

Em diversas oportunidades tenho afirmado que vivemos numa rede onde clientes e fornecedores interagem e invertem os papéis, segundo o sentido do fluxo considerado – informações e ou produtos. No caso da obsolescência e garantias o consumidor é tratado como um elo diferente e fragilizado nessa interação, conforme visualiza-se na figura abaixo e que dá razão para que a legislação faça a sua opção.

grupo de patrocinados

A rede está montada e dispensa a um dos seus integrantes um tratamento diferenciado, fazendo com que a lei se interponha para tentar algum ponto de equilíbrio. Mas o cálculo dos meses a descoberto, bem demonstra o quanto ainda se está longe desse ponto. Nesse ambiente, surge no Brasil um terceiro modelo de garantia – a garantia estendida. Trata-se de estender, mediante pagamento de aproximadamente 10% do valor do bem, o prazo de vigência da garantia do fabricante.

A resistência, por parte do fabricante, em melhor assegurar a qualidade e a vida útil do seu produto e a própria oferta de extensão “paga” pelo consumidor,  demonstra a necessidade da intervenção da lei na relação de consumo, impondo a  expansão do prazo sob proteção. Mas ainda é pouco.

A solução se encaminha pela revisão na conceitualização dessa relação na rede e da própria rede, onde a obsolescência programada seja empregada a favor do processo e não somente a uma das partes interagentes. Redução da pressão pelo consumo, expansão da vida útil dos produtos através do conceito de manutenção, onde os fatores considerados para o mantenimento sejam de terceiros qualificados e certificados pelo fabricante. Assim, além do aumento do tempo utilização e amortização do bem, teríamos uma maior distribuição da riqueza social, com grande reaproveitamento de materiais e energias geradas pela logística reversa montada.

Rede de sustentabilidade

Modernamente, com a avalanche de novos partidos políticos, no mundo em geral e em particular no Brasil , o título do artigo fica parecido com a designação de uma nova agremiação política no país. Lembro, ao caro leitor que, os dois principais termos utilizados para compor o nosso título, vêm sendo utilizados separadamente em diferentes artigos.

Também, tenho absoluta consciência sobre a questão da gestão dos direitos humanos aos humanos, onde a qualidade do meio ambiente físico é tão importante quanto a qualidade do meio gerado pela construção e respeito ao ordenamento jurídico, regulatório da vida em grupo, no território escolhido. Diferentemente, não parto do pressuposto do aquecimento global, para elencar as atitudes de gestão que venho apregoando, ao longo dos meus artigos.

Não basta que se crie as condições ambientais para a qualidade da nossa vida. O termo apropriado é que se estabeleça a qualidade, ou seja, se crie e se as mantenha ao longo do tempo em que vivermos sobre o nosso planeta.

Gaya A partir dessa idéia, o desafio passa a ser a sustentação do atendimento das nossas necessidades e das condições do meio ambiente, em estado tal que não degrade a qualidade física com a qual se vive, agrupados em determinado ponto do globo terrestre, a Gaya da figura* ao lado.

Nas pesquisas que realizo sobre o tema sustentabilidade,  tenho encontrado definições como:

“- a preservação do bem estar das pessoas, e do meio ambiente, mantendo negócios eficientes e rentáveis.”

Quando se busca o como fazer isso, encontra-se uma lista de ações, onde, o melhor aspecto que considero é de que, algumas empresas citam a sua reputação no mercado (maior ou menor venda e maior valor do capital intangível – valor da marca), como um dos grandes motivos para a obtenção de selos e certificações de que seu produto, com o respectivo processo de produção, não agridem ao ambiente. Ainda é pouco. Mesma avaliação para o pessoal que se envolve com a questão do aquecimento global: é pouco pregar a redução de gás carbônico na atmosfera. Pior ainda, é a resposta dos defensores e dos governos, centrada na redução do progresso, devido a consequente redução da atividade industrial.

A rede,  (conjunto de relações e meios onde cliente e fornecedor interagem, no âmbito de um processo) de sustentação das necessidades sociais e da qualidade física e química do ambiente, em que ambos se inserem, se trata de um sistema técnico, deliberadamente planejado para o seu propósito – minimizar alterações no ambiente. A figura abaixo mostra o esquema de ação de um sistema técnico*.

sistecnico

Assim, temos de um lado um sistema montado apara atender as nossas necessidades e, de outro, os resultados que devem:

  • atender as nossas necessidades;
  • não interferir na qualidade física e química do nosso ambiente.

O sistema técnico de produção, montado para atender aos resultados conforme o descrito acima, não o faz devidamente. Os componentes materiais têm um limite de vida útil, segundo a resistência de cada um, exaustivamente estudado pelos fabricantes. As estruturas, especialmente aquelas voltadas para o pós venda, foram sendo reduzidas, a tal ponto que, caso ocorra uma pane em algo que você compre, promovam a substituição por uma nova unidade; jamais se pensa em consertar, até porque se fosse essa a decisão, você teria pouca ou nenhuma estrutura para lhe atender.

Então, para que se estabeleça e se mantenha qualidade do ambiente que vivemos, o sistema técnico de produção deve se voltar para o emprego do conhecimento adquirido sobre o tempo de vida útil dos materiais (a obsolescência) para um programa de manutenção, que prolongue a utilização dos bens que adquirimos. Compraremos menos unidades e assim reduziremos o consumo de energia, água e emissão de gás carbônico.

Como ficam, nos termos da definição de sustentabilidade, citada antes,  os resultados da empresa?

Parte da mão de obra migraria para o sistema de manutenção (reduzindo custos do fabricante). Parte dos fornecedores passariam a fornecer itens para prestadores de serviço de manutenção. Novas empresas de serviços, gerariam novos postos de trabalho. E, por ai, a readequação se processaria, incluindo cultura e educação

 

Referencias:

figura Gaya: luz-na-terra.blogspot.com

sistema técnico: www.taringa.net 

Retardar a obsolescência

Todas as coisas e os seres ficam velhos, quer por desgaste natural ou fadiga do material, quer pelo envelhecimento da tecnologia empregada para garantir o funcionamento. O computador, com a sua tecnologia, é um belo exemplo, onde o material empregado não chega a entrar em processo de fadiga, porém a sua tecnologia de funcionamento – principalmente a velocidade dos chamados processadores é aumentada a cada intervalo de 12 meses ou menos.

Determinados produtos não impõem grande esforço ao material de que são feitos e têm ou deveriam ter enorme durabilidade, mas não o têm. Assim, certos fabricantes, de acordo com a filosofia do consumo de massa, programam a obsolescência do seu produto a partir de:

  • tecnologia de materiais que reduzam custos de produção e de vida útil mais curta;
  • tecnologia de funcionamento prestes a ser substituída por outra já desenvolvida e aguardando o momento de entrar em novos projetos;
  • projetos de engenharia do produto que desconsideram ao máximo a opção de reparos;
  • marketing voltado para o “compre novo, não conserte”, conforme ilustra a figura abaixo:

conserte

Como você pode perceber, ambas as formas de pressão, se fossem equilibradas, teríamos menor ameaça ao ambiente e à sustentabilidade da equação entre consumir e não agredir a qualidade de vida, reduzindo a velocidade de entulho do ambiente.  O desequilíbrio se estabelece na medida em que não se conserta mais nada e, ao mesmo tempo, é forte o apelo publicitário pela aquisição de unidade nova.

Uma proposta de reequilíbrio passa obrigatoriamente por estruturar o sistema de conservação dos bens, aumentando-lhes a vida útil.

Prezado leitor, tenho idade suficiente para ter  a oportunidade de viver o tempo em que era absolutamente normal encontrar pequenas e médias lojas de consertos, cuja atividade prolongava a vida da nossa geladeira  “Frigidaire” e televisão “Telefunken”, marcas da época. Minha alfabetização sempre foi acompanhada de uma iniciação profissional, onde se aprendia pequenos consertos domésticos e nos habilitava para trabalhar ou “ter” uma pequena oficina. Esse era o ambiente de sustentação da cultura de consertar e aproveitar bem o item que se comprava para a casa. Convenhamos, fundamento cultural das pequenas e medias empresas que, no Brasil, representam mais de 85% dos postos de emprego.

A manutenção, como atividade logística, requer a gestão dos seguintes fatores:

  • mão de obra
  • ferramental
  • peças de reposição
  • instalações
  • tempo.

Para cada um destes fatores deve existir uma rede (relação de clientes-fornecedores) com um custo que, como estamos ensaiando e a figura abaixo mostra, de 3,5% do preço de venda do produto, no caso uma bicicleta.

FB_IMG_1448457962977

Observe, caro leitor, que não custa caro assegurar-se da manutenção do bem comprado. Retardar o processo de obsolescência daquilo que compramos pode não ser conveniente sob a ótica de parecer alguém sempre atualizado, conforme valores repassados pelo marketing dos fabricantes. Sob a ótica de respeito e conservação do ambiente em que vivemos, essa é uma atitude inteligente e economicamente sustentável. Temos uma decisão de comprar menos e manter os postos de trabalhos, garantindo a vida econômica de muitas famílias, sem qualquer agravo ao nosso ambiente.

A logística do milagre

Todos nós, de alguma forma, creditamos e ou atribuímos  a um milagre  o sucesso ante o surgimento de determinados acontecimentos na nossa vida. Este é um texto que não tem a pretensão religiosa e tampouco de auto ajuda. Trata-se  de acreditar sobre algo que somos capazes de construir na nossa vida. Nós construímos tudo, mas à algumas coisas denominamos de milagre e, de imediato, atribuímos a sua autoria a um ente isolado em quem acreditamos.

Na verdade, ante ao que se apresenta, fazemos duas coisas: – pensamos sobre um objetivo a atingir; e providenciamos a logística necessária para que aconteça. Mesmo para os milagres é assim que funciona.

super heroi

A figura ao lado* mostra que somos 50% superação e fé (acreditamos naquilo de pensamos e executamos), somos super-heróis e 50% processo planificado dos diversos suportes materiais de de serviços para que a coisa aconteça.

No clamor da necessidade ou da identificação da grandeza do objetivo de vida a atingir, a maioria das pessoas nem consegue parar com uma caneta e papel na mão para listar as providências que precisa tomar e, muito menos lhes determinar uma ordem de execução. Esse momento é sempre cheio da emoção, onde o lado certo do cérebro, para as coisas de ordem prática, fica desligado.

Passado o momento da percepção da necessidade de chegar a um ponto, instintivamente começamos a redigir mentalmente aquilo que fazer. Um bom exercício para a constatação é eleger um caso passado e listar todas as providências de transporte, estoque, controle de documentação e serviços que você movimentou para dar suporte ao sucedido. Sempre incluo na minha listagem o tamanho e exatamente aonde, no conjunto das minhas crenças, tive que atualizar e, muitas vezes, dar um upgrade no meu sistema de fé.

Vou contar a você, caro leitor, uma experiência que vivi,  onde em meio a maior pressão psicológica que conheci, tive que estabelecer e centrar num objetivo de vida. O caminho para fazer acontecer tal objetivo requereu:

  • coleta de informações sobre profissionais de saúde muito especializados;
  • contratação desses profissionais e agendamentos de eventos;
  • muito transporte;
  • controle de execução e arquivamento temporário de exames de saúde;
  • revisão e atualização do plano de previdência;
  • dois meses de agenda diária em hospital com controle, transportes.
  • previsão financeira;
  • três anos de rotina mensal em laboratório e controle mensal de indicadores de saúde. E por ai vai.

Não se pode esquecer que tudo o mais que nos cerca não pára e que, apesar da centralidade requerida, a vida tem que continuar o mais próxima possível da normalidade .

Como todos, também tenho um sistema de crenças fundado numa religião. Mas, além dela e do criterioso planejamento e execução do suporte logístico com vista ao objetivo definido, fiz uma mudança radical na filosofia de vida, onde a harmonização e o reconhecimento do poder do verbo foram fundamentais para os 50% de super-herói. A figura* abaixo mostra o segredo que agora posso compartir.

seucaminho

Encerro afirmando que até mesmo a fé e o silêncio fazem parte do conceito da operação logística que dá suporte ao que intentamos realizar na nossa vida, quer de maneira natural e sequencial, quer por algo de grave emergência que venha a nos forçar uma revisão nos planos. Rotina ou contingência somos nós que construímos o nosso caminho, de preferência em segredo.

Credito das figuras

www.zazzle.pt 

E-comércio & e-logística

Pelo menos boa parte do atendimento das suas necessidades passa por uma compra. Sempre compramos algo: bens, serviços, tempo  e atenção/capacitação de outra pessoa.

São, basicamente, duas opções para a aquisição de bens: ou você vai na loja física, ou frequenta a loja virtual, via internet – os famosos sites de compras. Mas por que a sua escolha recai sobre esta ou aqueles?

No início do comércio via internet a resposta era muito simples e direta: -não confio e tenho medo, até mesmo de chegar perto do computador. Hoje a coisa está muito diferente, pois pessoas, tecnologia e processos cresceram, melhorando a confiança na compra eletrônica com o chamado dinheiro de plástico – nosso cartão de crédito, sem sair de casa.

No aspecto de pessoas, o brasileiro evoluiu muito em termos de habilidade e conhecimento sobre a realidade da rede de internet. Hoje é praticamente uma exigência social você dominar o assunto.  Outro fator importante é que no Brasil temos 43% dos domicílios com acesso a internet e, operacionalmente capaz de se ligar a uma loja virtual. Se considerarmos as ligações utilizando celulares podemos chegar, em números, a 50% dos domicílios.

Os meios de pagamento também vêm evoluindo, especialmente no quesito segurança e simplicidade de operação. O cartão de crédito ainda é o principal meio.  Outro ponto a considerar é que somente 25% da população tem cartão de crédito, condição primeira para compras via internet. Existem outras opções de pagamento que o brasileiro utiliza, segundo a sua condição de crédito. A figura abaixo* mostra a distribuição da forma de pagamento por compras eletrônicas, no Brasil em 2014.

services_5_br

Os processos também evoluíram. Para melhorar o nível de segurança nos pagamentos eletrônicos surgiu, há aproximadamente uma década, a solução representada por “sites de pagamento”. Essa solução trata-se de um ator entre você e o fornecedor escolhido. O pagamento é efetuado com o emprego desse agente que lhe assegura a restituição do dinheiro e ou a solução do problema de fornecimento. Ele tem parceria com vendedores eletrônicos e com diversas instituições bancarias e seu ganho tem sua origem nessas relações. Não significa aumento de custos para o comprador. Além dos sites que garantem o seu pagamento, os bancos e as operadoras de cartões também evoluíram os seus sistemas de segurança.

Também a tecnologia se desenvolveu muito. Os cartões com chips e leitoras individuais, junto ao seu computador, em casa, tudo isso assegurou maior agilidade, segurança e conforto à compra. Contas bancarias que rodam em ambientes virtuais seguros, programas próprios de segurança bancaria, além do seu antivírus, foto e digitais do operador da conta e por ai vai. A figura abaixo mostra os cartões sobre um teclado clássico de um computador, gesto bastante comum nesse meio.

cartoes

Ainda temos pela frente uma outra batalha cultural para  que se possa efetuar as nossas compras com paz e desenvoltura: – a cultura do ver o produto ao vivo, ouvir do vendedor as especificações técnicas, ter a opinião dele sobre o preço apresentado (que sempre será a melhor, sem dúvida) e de levar o produto consigo, de imediato.  Ver o produto e conhecer o seu desempenho têm solução nos sites: – a tecnologia do zoom passando o mouse sobre o produto; – excelentes fichas técnicas parecem chegar muito perto da nossa necessidade cultural . Mas será que entregaram no prazo e certo na minha casa?

Esta pergunta representa o grande e sempre atual desafio do mercado de vendas pela internet: desenvolver uma e-logística tão eficiente quanto foi a compra.   As empresas que trabalham com vendas pela internet têm sido muito criativas no desenho e redesenho de processos logísticos para acelerar o tempo de entrega na sua casa. A decisão de contratar empresas especialistas em transporte, onde os contratos preveem metas de desempenho (cumprimento de prazos e redução de ocorrência de danos ao produto)  bastante rigorosas, deu começo a uma nova era nas entregas. Hoje são empregados veículos pequenos e ágeis para o trânsito urbano e os produtos são, preferencialmente, retirados dos depósitos das lojas físicas mais próximas da sua casa. Outros aspectos importantes foram a criação de diversos canais de pós venda, via rede e telefone com linhas especiais e de sites de reclamação, vinculados ou não aos PROCONS locais. Com o circuito fechado, vejo que estamos indo muito bem nesta opção e hoje já começamos a pensar mais de uma vez entre frequentar a loja física ou fazer a compra de dentro de casa.

 

Referência:

*https://www.pagbrasil.com/pb/br/servicos/pagamentos-online-brasil.html

 

 

 

A logística do cão de apartamento

A verticalização das cidades brasileiras trouxe consigo diversas vantagens e desvantagens. Dentre as primeiras se pode citar o aproveitamento do espaço urbano e como desvantagem a mudança de hábitos da nossa sociedade. Ter em casa um animal de estimação faz parte da cultura nacional, mas como ter um cão dentro de um apartamento, por exemplo?

criança e cão

Diz a nossa lógica que o cão, a criança e o quintal foram feitos uns para os outros. A foto ao lado mostra o interesse e a atração que cada um exerce sobre o outro.

A vida verticalizada,  em apartamento, requer uma completa revisão nos processos habituais de suporte, quando baseada numa casa isolada.

As normas de conduta social no edifício são bastante restritivas para todos os membros da família. Nosso cão de estimação faz parte e é o integrante mais atingido por tais normas. Portanto, aquele que requer maior reformulação nos seus processos de vida. Sobre isso fui buscar informações específicas sobre o cão, no site* da Doutora Silvia Parisi, médica veterinária e na entrevista com Andreia Tripovichy, proprietária da AT Pet Spa & Boutique*.

A médica coloca sete regras fundamentais para se ter um cão de raça pequena no apartamento. Ela afirma que, de forma geral, o animal necessita de espaço e companhia. A administradora Andreia discorre sobre a higiene física, mental e corporal do bichinho.

acompanhante

 

Ambas as profissionais recomendam o passeio para o cão. Ele precisa de exercitar fisicamente, ter contato com plantas, outros cachorros, pessoas, movimentos. Isso determina que ele não se estresse e se torne um animal tranquilo no ambiente isolado, aonde mora. Então vemos que a contratação de passeadores é uma decisão logística importante para a qualidade de vida do animalzinho e da nossa própria. Não se preocupe com custos pois você os teria sob outra forma, caso morasse numa casa. Uma vez por semana ou a cada quinze dias, o banho é fundamental porque o cão desenvolve os odores naturais que, no ambiente confinado, não será nada agradável a convivência. A administrador da AT Pet & SPA diz que ´se deve buscar um prestador desse serviço que tenha instalações e carinho fazendo com que o animal se habitue àqueles profissionais que cuidam dele. Observe a expressão de prazer do bichinho e a escova de dentes aguardando o momento de entrar em cena na foto abaixo.

Deise Carvalho-70

A doutora Silvia afirma que brinquedos e ossos de de material apropriado são importantes para deixá-los felizes e para a prevenção do stress. Também esse é um fornecedor que você deve desenvolver para ter tranquilidade em adquirir produtos de qualidade que não exponham a saúde do companheiro.

Outros dois grandes desafios que têm de ser enfrentados com canais de suprimentos ao entorno do cão são:

  • não os deixar por muito tempo sozinhos
  • educar para evitar os latidos constantes e ou habituais, os seus vizinhos que optaram por não terem animais agradecem.

A proprietária da Pet diz que existem profissionais no mercado que prestam o serviço de acompanhante, especialmente se você for viajar e seja inconveniente a presença de animais. Também existem os adestradores que educam atitudes e comportamentos ao cão, além de ensinamentos aos donos de como gerir o desafio, incluindo a questão dos latidos fora de hora.

Ambas encerram dizendo que concordam que o melhor seria se pudéssemos oferecer uma casa com quintal grande mas que a realidade de hoje é bem diferente, fato que aumenta a nossa responsabilidade para com a qualidade de vida do nosso cãozinho, caso decidamos por te-lo, mesmo morando em apartamento.

Grato as profissionais

abraço a todos

 

Referências

Manutenção e vida útil dos bens

Grande parte dos componentes dos eletrodomésticos são recicláveis. Excetuando-se os plásticos envolvidos na produção, de certa forma, mesmo que somente deixados expostos ao meio ambiente, eles se reciclam “ao natural”, sendo o aço um bom exemplo que retorna, em aproximadamente cinco anos, para a natureza sob a forma de óxido de ferro, seu principal componente.

A filosofia do consumo de massa de bens faz com que tenhamos de um lado, a muito bem estruturada pressão pela crescente produção  e de outro, uma logística reversa pouco ou quase nada estimulada. Neste aspecto são incipientes o serviço de manutenção, a classificação, a coleta seletiva, e métodos e processos de reciclagem.

O serviço de manutenção é aquele que pode retardar a decisão pela substituição de um bem, aumentando a sua vida útil e reduzindo a pressão na produção de novos e no meio ambiente pelo acúmulo de dejetos e de resíduos sólidos. Além da menor necessidade de insumos na produção (energia, água, etc..). Para o caro leitor que se antecipar pensando na redução do número de postos de trabalho, fique tranquilo que a idéia contempla a redução da pressão na produção. Vamos para a construção da idéia em números.

A realidade sobre a posse de equipamentos e eletrodomésticos no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)*,  mostra que:

  • Geladeira e Televisão – existem em 99% dos domicílios;
  • Fogão – existe em 100% dos domicílios;
  • Celular e Smartphone – existem em 99% dos domicílios;
  • Lava roupas – existem em 90% dos domicílios.

O IDEC, ao abordar sobre o ciclo de vida dos eletrodomésticos afirma que a geladeira no Brasil apresenta:

  • 6 anos de vida útil;
  • 10% delas necessitam pelos menos dois consertos na sua vida.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)*, segundo o censo de 2015, o Brasil dispõe de:

  • 205.105.000 habitantes;
  • 62,8 milhões de domicílios
  • 74,9 anos é a expectativa de vida do brasileiro.

Assim, discutindo os dados acima podemos afirmar que dispomos de aproximadamente 62,8 milhoes de geladeiras no país e que cada brasileiro necessita ao longo de sua vida de 12 unidades (expectativa de vida/vida útil do equipamento). O brasileiro deverá se envolver com o conserto de pelo menos duas das geladeiras da sua vida. A foto abaixo mostra a facilidade para se promover a manutenção do eletrodoméstico.

images    Considerando o universo dos domicílios teremos quase quatro brasileiros na dependência de uma unidade de geladeira. Muito embora esteja aumentando a idade com que os filhos saem da casa dos pais, teremos ao redor de 18 anos socializando o eletrodoméstico, ou seja, três vezes a vida útil do bem. Portanto, daquelas 12 previstas na nossa vida, teremos que comprar nove unidades.

Em 2014, a publicação de pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS)* nos dava conta de que para 2015 está planejado dobrar a produção brasileira anual de geladeiras , visando chegar a 900.000 de unidades/ano. A metodologia proposta nesse blog nos leva a uma necessidade de 1.600.000 Un/ano. Como podemos observar, estamos diante de uma demanda reprimida, situação que determina a manutenção dos preços elevados e desestimula qualquer ação sistêmica que vise aumentar a atual vida útil do eletrodoméstico da chamada linha branca, que estamos enfocando. Logo, a manutenção estabelecida pelo fabricante, no manual do proprietário, não deverá ser objeto de aprofundamento. Qualquer plano que envolva mais escalões de manutenção para que se aumente a vida útil do bem não deverá ocorrer sob o patrocínio industrial.

 

Referências:

  •  – Ciclo de vida de eletroeletrônicos. disponível em http://www.idec.org.br/uploads/testes_pesquisas/pdfs/market_nalysis.pdf.
  • Meio ambiente e a indústria de embalagem. Disponível em http://www.abre.org.br/wpcontent/uploads/2012/07/cartilha_meio_ambiente.pdf
  • http://www.abras.com.br/
  • http://www.ibge.gov.br/home/