Manual do proprietário

Hoje é comum a expressão “com o manual na mão, eu monto qualquer coisa”. Tem gente que já pergunta se tem ” o manuel”, de tão usual que se tornou essa ajuda do fabricante.

Esta é uma antiga ferramenta de pós venda que, em função das mudanças nas políticas de produção, sofreram variações de conteúdo e de apresentação, ao longo do tempo.

O conteúdo do manual é definido ao tempo do projeto de engenharia do produto portanto, ainda dentro da indústria, seguindo uma política de produção e venda conforme os objetivos organizacionais traçados nos campos financeiro, social e ambiental. O modelo mais clássico que se tem é o manual do proprietário de veículo automotor. Ele é completo e detalhado no funcionamento e na regulação da manutenção do bem adquirido. No Brasil a depreciação e exaustão desse bem é de 20% ao ano, ou seja, contabilmente em cinco anos o bem se extingue; no mercado é comum se ver veículos automóveis com dez anos de vida útil. Em boa parte isso se deve ao plano de manutenção traçado pelo fabricante. A figura abaixo mostra o manual de uma carro de 1965. O meu carro é do ano de 2005 e são pequenas as diferenças entre ambos os documentos e àqueles do corrente ano.

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A ausência de diferenças decorre da não mudanças nas políticas de produção (não confunda com tecnologias), onde o aumento da vida útil e a confiabilidade na marca sempre foram o norte do mercado produtor, além da própria capacidade de compra do mercado consumidor. Ainda assim, se observa no Brasil, o crescente passivo de uma destinação dos resíduos de automóveis que não mais podem circular e que, a despeito do prolongamento da vida, não se dispõe de um sistema reverso de logística, capaz de absorver a demanda e aliviando o meio ambiente da carga de tais resíduos.

Atualmente, existem alguns bens disponíveis no mercado, cujo manual se restringe a uma única folha de papel impresso com as principais instruções de uso e cuidados de segurança. Os endereços para eventuais manutenções nem sempre se confirmam. A garantia do produto é de um ano e você não encontra quem faça qualquer reparo. O manual é singelo e não tem instruções de manutenção pelo simples motivo de que o custo de produção é muito baixo: compre um novo e bote fora o velho “estragado”. Pergunta-se: fora aonde? Sem sistematização e sem orientação no manual, fatalmente o velho habitará um terreno baldio.

Por outro lado, existe uma nova geração de bens e fabricantes que emitem um manual tradicional singelo que contém as instruções básicas de operação e cuidados, mas conta com  um endereço de internet, onde a manutenção é muito bem detalhada. Minha lavadora/secadora de roupas é um exemplo. Já fiz alguma manutenção mais aprofundada acompanhado por um tutorial em vídeo, onde a peça referida era mostrada na tela do celular, passo a passo.

manualA figura ao lado mostra alguém estudando o manual de um bem que comprou ou irá comprar. Eu já vivi esta experiência, conforme relatei acima.

A minha preocupação que persiste, apesar da modernidade do manual, é que ao encerramento programado ou não, do prazo de vida útil do produto, ainda não terei um processo sistematizado de descarte do “velho” para o reaproveitamento na própria indústria.  Essa é uma enorme de uma oportunidade de melhoria nos manuais de proprietário:

  • fazer nele constar as medidas especiais e de logística para o descarte;
  • inventário de materiais construtivos e respectivos volumes;
  • nível estimado de redução da emissão de CO2 com as medidas.

Como você pode observar os novos manuais seriam medidas realmente inovadoras que, além de envolver na questão da preservação ambiental a todos os segmentos sociais, serviriam de suporte fático para a concessão de certificação do tipo “selo verde”.

A coleta seletiva da embalagem

A embalagem é um daqueles indicadores que são quase universais. Ela serve, ao mesmo tempo, para monitorar o nível de desenvolvimento econômico e o de educação para o desenvolvimento social.

A Associação Brasileira de Embalagens² (ABRE) diz :

A embalagem reflete a cultura e estágio de desenvolvimento de uma nação e seu aprimoramento vem acompanhando a evolução da sociedade desde os tempos primórdios, se adequando à sua nova organização, padrões, necessidades.

No mundo dos administradores existe uma colocação clássica a respeito da embalagem: Afinal, a embalagem agrega valor ao produto, ou não? Pertenço ao grupo que pensa que não, pois ela tem a função de proteger para que não se perca o valor agregado, até que ocorra o consumo.

Na verdade, nos cabe é melhorar continuamente a gestão organizacional para qualificar também os resultados ambientais. A divisão de responsabilidades ambientais entre a sociedade e a empresa não se trata de uma linha demarcatória: é um contínuo de ações entrelaçadas, que se inicia na engenharia da produção e do produto, passa pelo consumo, pela destinação correta da embalagem e retorno energético à indústria de base.

Segundo a política ambiental brasileira, uma empresa sustentável tem que gerar resultados financeiros, sociais e ambientais. São as três interfaces com o tecido social, onde a coleta seletiva é uma ação proativa nesse contexto das competências concorrentes entre a empresa e a sociedade. A figura abaixo¹ mostra o principio de tudo, no retorno ao ambiente.

coleta seletiva em fazendas

Assim, qualquer um dos grupos de materiais mostrados na figura pode representar a forma de organização, capacitação e expressão da vontade social quanto a sustentação do ambiente. A criticidade do desafio de manutenção do meio cresce na medida em que aumenta a aglomeração dos seres humanos em grandes, médias e pequenas cidades. Vamos eleger, pela popularidade, a embalagem do tipo garrafa pet, no grupo do plástico para demonstrar uma parcela dos trabalhos de reciclagem no Brasil. Todos os dados são da Associação Brasileira da Indústria do Pet (ABIPET)³, que se encontra na nona rodada de censo, realizada em 2012.

A base geográfica dos dados é o Brasil com a sua divisão clássica em regiões, onde são identificadas as empresas que trabalham com a reciclagem de PETs, as quais foram convidadas a responder a um questionário.

Atualmente já foi atingido o índice de 58,9% de reciclagem, com 766 cidades brasileiras (são 5570 municípios no país) que dispõem de serviço de coleta seletiva. Um outro aspecto importante é a solidez das empresas de reciclagem onde 95% delas tem mais de cinco anos de atividade ininterrupta e firme no negócio. A foto abaixo mostra a fase compressão e do do enfardamento, segundo a classificação do tipo de material. A partir daqui o material segue para a indústria para transformar em matéria prima, sendo que mais da metade (65%) gera os flakes, que são pedaços quase na condição de espuma e cristais, seguindo inclusive para a indústria química. Outros 25% voltam a ser garrafas.para não alimentos.

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Este segmento é um mercado muito ativo e concorrido mas que ainda tem muito espaço para se expandir.

Na medida que é algo muito ligado à cultura da sociedade, o processo não tem a velocidade de desenvolvimento que se espera dele. A educação para a coleta seletiva é a chave que destrava o volume de negócios.

Quanto ao desenvolvimento econômico do país, a embalagem serve para medir o grau em que ele ocorre, pois quanto mais se consome, mais se produz que, por sua vez, necessita de mais embalagens para conter, movimentar e transportar. Se queremos saber o tamanho da crise de um país, basta que se conheça a curva de desempenho dos fabricantes de embalagem de papelão e de PET.

Referências

  1. www.sestr.com.br
  2. http://www.abre.org.br/
  3. http://www.abipet.org.br/

http://www.abre.org.br/wp-content/uploads/2012/07/cartilha_meio_ambiente.pdf

O fornecedor é você

No início de tudo era só chorar que já corria todo mundo em volta com colo e leite gostoso da mamãe. Barriga cheia e um soninho, mas a fralda cheia incomodava: outro choro e pronto, minha fornecedora de serviço de limpeza das partes baixas já fazia o seu serviço. Agora sim, um bom sono. Você se comunicava tão bem que toda a rede de fornecedores ao seu redor (mamãe, papai, vovó e maninho) pareciam adivinhar as suas necessidades, quase se antecipavam a elas. Era só fornecer informações daquilo que precisava, de preferência bem alto e forte, e o mundo parava para lhe ouvir. Para atender algumas das necessidades, um fornecedor especializado era utilizado. As revisões e emergências de saúde são um bom exemplo disso. Com a escolha da pre-escola, o nível fundamental, o segundo grau e vem a opção por uma profissão a seguir.

A sua cômoda vida de fornecedor de informações começa a mudar: você vai se preparar para suprir a alguém, dentro da profissão que escolher. A figura abaixo mostra todo o esquema de funcionamento e a contínua mudança de papéis, dentro da rede logística da vida. Você esta se preparando para também ser um fornecedor de bens e ou serviços.

                                                                                                                                       ciclopaint                     Fonte: autor

O segredo é ser um bom fornecedor e, para isso, saber escolher a profissão e a ela se dedicar, desde o banco da escola, determina o seu sucesso. Quando você tem uma necessidade é importante que a saiba descrever com boa precisão. Isso fará com que escolha o melhor fornecedor da rede ao seu redor. A comunicação com ele se caracteriza pelo detalhamento na qualidade e na quantidade daquilo que lhe satisfará. Agora não mais funciona o gritar alto e forte.

O fornecedor escolhido deverá ser capaz de lhe ouvir, entender e traduzir a sua necessidade em termos da qualidade e quantidade do seu processo interno de produção da prestação de serviços ou do bem que oferece. A saída da produção e algo que lhe atende e o resultado é um cliente satisfeito. Lembrando, tudo aquilo que estou escrevendo sobre os dois atores (cliente e fornecedor) vale ao mesmo tempo para o leitor. Na rede logística da vida sempre estaremos em um dos papéis.

Planejar é preciso – os sonhos

Na primeira infância, brincar é o verbo que melhor sintetiza um dos principais objetivos no inicio da vida. Exercitar o imaginário é a ordem. Não existe qualquer preocupação com algum apoio que dê suporte ao plano que, assim como surge, desparece e é substituído por outro. Porém, os pais supridores, aos poucos estabelecem e mantêm uma rede de facilidades no entorno da criança. O atendimento àquelas necessidades básicas de segurança, conforto material e manutenção do corpo é realizado na casa da família, que faz parte da rede. O provimento de educação, conhecimento e cultura acontece com uma combinação e encontro de vários processos de apoio em mais um nó dessa rede, que normalmente é representado pela escola. A figura abaixo mostra a ideia de rede, onde o circulo vermelho pode representar a criança ou qualquer outra referencia para estabelecer o desenho de uma rede.

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Ainda aproveitando a figura, os pontos verdes, que representam os responsáveis diretos se ligam  ao ponto vermelho – nossa criança sonhadora. Cada um dos verdes têm a sua própria rede de azuis, que são os respectivos processos combinados para gerar a facilidade para o vermelho. Por exemplo: – a escola, bem simplificada, é o resultado da administração de um prédio, professores, funcionários e serviços.

Com o passar do tempo a criança vai assumindo a sua independência e a gestão das suas relações e necessidades dentro da rede. Chega o momento de escolher uma profissão que goste e que lhe garanta o sustento. O sonho passa a construir objetivos na vida e o planejamento das ações para chegar lá, uma realidade.

Sem perceber muito bem, o ser humano começa a inventariar, fazer um levantamento de tudo aquilo que tem de bom para encaminhar o seu projeto. Na sua lista, observa aquilo que lhe falta (fazer um curso extra, se preparar para um concurso, etc) e decide prover os apoios dos seus sonhos, identificando onde e como se fortalecer na rede logística da vida. Ele olha para as oportunidades e para as dificuldades que terá de enfrentar, toma um caminho e segue firme em direção ao sucesso.

Na terceira fase da vida surgem necessidades especializadas, para as quais, a rede lhe oferece fornecedores, com a respectiva estrutura própria, capacitados para atendê-las plenamente. São as redes de atendimento geriátrico, academias especializadas, a turma do lazer em grupo, etc.

Um abraço e até o próximo.