O inventário do lixo aqui em casa

Mesmo com a diminuição do tamanho da família moderna, segue crescendo o volume do lixo gerado nas unidades familiares. Você já parou para ver a quantidade de lixo diário que sai da sua casa? Pois, essa constatação me leva a fazer-lhe a segunda pergunta, caro leitor: – Qual é a ferramenta que acabou se tornando imprescindível na cozinha moderna? E vamos emendar logo a terceira pergunta: – você separa o lixo seco do orgânico dentro da sua casa?

Antes de prosseguir, resolvi ir até a minha cozinha e realizar um inventário do lixo aqui de casa. Não estava no roteiro de produção do texto, foi decisão de inopino. Volto já!
xingandoVou correr um duplo risco:  

1. descobrir “cobras e lagartos”;

2. ou ouvir “cobras e lagartos” da minha esposa, pois penso que se eu noticiasse a minha intensão, ela não concordaria.

Antes, um pouco de teoria.

Lixo doméstico

O lixo doméstico é um problema cíclico, onde diversos materiais têm diversos tempo e processo de produção. Podemos começar pela embalagem do pão, no café da manhã de hoje. Assim, respeitados os tempos, nossos móveis e as próprias paredes da nossa casa, um dia serão lixo. Vamos nos limitar ao resíduo diário, tais como restos de alimentos, embalagens, papeis, etc…Com tal definição de termos já posso afirmar que esse lixo nasce na sua lista de supermercado.

Pense comigo, você vai ao mercado com um interesse específico e junto com ele vem embalagens, aliás, muita embalagem. Dois exemplos representativos:

  • tem um bombom achocolatado que é vendido em doze unidades (sendo que cada uma delas com a respectiva embalagem em papel laminado) acondicionadas numa bandeja de papelão que é revestida com papel celofane;
  • bolachas do tipo água e sal, montadas em colunas que sustentadas por papel celofane, se torna um volume. Três volumes destes são agrupados numa embalagem de papel celofane totalmente colorido e com os dizeres de praxe.

Pois, haja tesoura na cozinha para manobrar com este material e outros tantos, utilizados para conter aquilo que especificamente necessitamos. Pronto, respondi a uma das perguntas: cozinha sem uma tesoura na gaveta dos talheres não assegura que dominemos as tais embalagens de hoje. Em tempo: haja cesta do lixo diário!

A quantidade de lixo diário que sai da sua casa, começa a ser determinada na sua lista de compras e passa pela opção de produtos com menos embalagens ou feitas com material que degrada mais fácil no meio ambiente, seja reciclável, isto é, tenha um canal de reciclagem já estabelecido; você sabe como recolher e para aonde e como fazer para encaminhar o reaproveitamento daquilo que veio junto com o seu alimento e, que não serve mais.  Compare as figuras abaixo:

papel de pão          plástico para pão

Regra de ouro

Depois do cuidado e seleção nas compras, a regra de ouro é separar o lixo seco do molhado. Começa dentro de casa e vai para diferentes contêineres (na cidade aonde eu moro o sistema de coleta é feito dessa forma) na sua calçada. Sem os cuidados iniciais e sem a correta armazenagem no respectivo contêiner, o recolhimento do lixo, que agora é coletivo, dará encaminhamento errado para o material e o cenário abaixo se manterá como triste realidade de muitos municípios brasileiros.

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A regra pode e deve ser expandida para a separação de vidros, metais, plásticos e papéis. Fomentar, incentivar e difundir a formação de cooperativas de reciclagem é exercício da cidadania.

Quanto a incursão pela cozinha da minha casa posso dizer que sobrevivi, caso contrário não teria terminado o texto. Acabei convencido de que teremos que repensar algumas rotinas por aqui. Moramos em apartamento e isso requer grandes adaptações, especialmente considerando que esse tipo de morar é a grande explosão nas áreas urbanas.

Vou fazer mais observações, testar adaptações e depois socializo as minhas experiências nos próximos textos.

 

 

 

Manual do proprietário

Hoje é comum a expressão “com o manual na mão, eu monto qualquer coisa”. Tem gente que já pergunta se tem ” o manuel”, de tão usual que se tornou essa ajuda do fabricante.

Esta é uma antiga ferramenta de pós venda que, em função das mudanças nas políticas de produção, sofreram variações de conteúdo e de apresentação, ao longo do tempo.

O conteúdo do manual é definido ao tempo do projeto de engenharia do produto portanto, ainda dentro da indústria, seguindo uma política de produção e venda conforme os objetivos organizacionais traçados nos campos financeiro, social e ambiental. O modelo mais clássico que se tem é o manual do proprietário de veículo automotor. Ele é completo e detalhado no funcionamento e na regulação da manutenção do bem adquirido. No Brasil a depreciação e exaustão desse bem é de 20% ao ano, ou seja, contabilmente em cinco anos o bem se extingue; no mercado é comum se ver veículos automóveis com dez anos de vida útil. Em boa parte isso se deve ao plano de manutenção traçado pelo fabricante. A figura abaixo mostra o manual de uma carro de 1965. O meu carro é do ano de 2005 e são pequenas as diferenças entre ambos os documentos e àqueles do corrente ano.

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A ausência de diferenças decorre da não mudanças nas políticas de produção (não confunda com tecnologias), onde o aumento da vida útil e a confiabilidade na marca sempre foram o norte do mercado produtor, além da própria capacidade de compra do mercado consumidor. Ainda assim, se observa no Brasil, o crescente passivo de uma destinação dos resíduos de automóveis que não mais podem circular e que, a despeito do prolongamento da vida, não se dispõe de um sistema reverso de logística, capaz de absorver a demanda e aliviando o meio ambiente da carga de tais resíduos.

Atualmente, existem alguns bens disponíveis no mercado, cujo manual se restringe a uma única folha de papel impresso com as principais instruções de uso e cuidados de segurança. Os endereços para eventuais manutenções nem sempre se confirmam. A garantia do produto é de um ano e você não encontra quem faça qualquer reparo. O manual é singelo e não tem instruções de manutenção pelo simples motivo de que o custo de produção é muito baixo: compre um novo e bote fora o velho “estragado”. Pergunta-se: fora aonde? Sem sistematização e sem orientação no manual, fatalmente o velho habitará um terreno baldio.

Por outro lado, existe uma nova geração de bens e fabricantes que emitem um manual tradicional singelo que contém as instruções básicas de operação e cuidados, mas conta com  um endereço de internet, onde a manutenção é muito bem detalhada. Minha lavadora/secadora de roupas é um exemplo. Já fiz alguma manutenção mais aprofundada acompanhado por um tutorial em vídeo, onde a peça referida era mostrada na tela do celular, passo a passo.

manualA figura ao lado mostra alguém estudando o manual de um bem que comprou ou irá comprar. Eu já vivi esta experiência, conforme relatei acima.

A minha preocupação que persiste, apesar da modernidade do manual, é que ao encerramento programado ou não, do prazo de vida útil do produto, ainda não terei um processo sistematizado de descarte do “velho” para o reaproveitamento na própria indústria.  Essa é uma enorme de uma oportunidade de melhoria nos manuais de proprietário:

  • fazer nele constar as medidas especiais e de logística para o descarte;
  • inventário de materiais construtivos e respectivos volumes;
  • nível estimado de redução da emissão de CO2 com as medidas.

Como você pode observar os novos manuais seriam medidas realmente inovadoras que, além de envolver na questão da preservação ambiental a todos os segmentos sociais, serviriam de suporte fático para a concessão de certificação do tipo “selo verde”.

A coleta seletiva da embalagem

A embalagem é um daqueles indicadores que são quase universais. Ela serve, ao mesmo tempo, para monitorar o nível de desenvolvimento econômico e o de educação para o desenvolvimento social.

A Associação Brasileira de Embalagens² (ABRE) diz :

A embalagem reflete a cultura e estágio de desenvolvimento de uma nação e seu aprimoramento vem acompanhando a evolução da sociedade desde os tempos primórdios, se adequando à sua nova organização, padrões, necessidades.

No mundo dos administradores existe uma colocação clássica a respeito da embalagem: Afinal, a embalagem agrega valor ao produto, ou não? Pertenço ao grupo que pensa que não, pois ela tem a função de proteger para que não se perca o valor agregado, até que ocorra o consumo.

Na verdade, nos cabe é melhorar continuamente a gestão organizacional para qualificar também os resultados ambientais. A divisão de responsabilidades ambientais entre a sociedade e a empresa não se trata de uma linha demarcatória: é um contínuo de ações entrelaçadas, que se inicia na engenharia da produção e do produto, passa pelo consumo, pela destinação correta da embalagem e retorno energético à indústria de base.

Segundo a política ambiental brasileira, uma empresa sustentável tem que gerar resultados financeiros, sociais e ambientais. São as três interfaces com o tecido social, onde a coleta seletiva é uma ação proativa nesse contexto das competências concorrentes entre a empresa e a sociedade. A figura abaixo¹ mostra o principio de tudo, no retorno ao ambiente.

coleta seletiva em fazendas

Assim, qualquer um dos grupos de materiais mostrados na figura pode representar a forma de organização, capacitação e expressão da vontade social quanto a sustentação do ambiente. A criticidade do desafio de manutenção do meio cresce na medida em que aumenta a aglomeração dos seres humanos em grandes, médias e pequenas cidades. Vamos eleger, pela popularidade, a embalagem do tipo garrafa pet, no grupo do plástico para demonstrar uma parcela dos trabalhos de reciclagem no Brasil. Todos os dados são da Associação Brasileira da Indústria do Pet (ABIPET)³, que se encontra na nona rodada de censo, realizada em 2012.

A base geográfica dos dados é o Brasil com a sua divisão clássica em regiões, onde são identificadas as empresas que trabalham com a reciclagem de PETs, as quais foram convidadas a responder a um questionário.

Atualmente já foi atingido o índice de 58,9% de reciclagem, com 766 cidades brasileiras (são 5570 municípios no país) que dispõem de serviço de coleta seletiva. Um outro aspecto importante é a solidez das empresas de reciclagem onde 95% delas tem mais de cinco anos de atividade ininterrupta e firme no negócio. A foto abaixo mostra a fase compressão e do do enfardamento, segundo a classificação do tipo de material. A partir daqui o material segue para a indústria para transformar em matéria prima, sendo que mais da metade (65%) gera os flakes, que são pedaços quase na condição de espuma e cristais, seguindo inclusive para a indústria química. Outros 25% voltam a ser garrafas.para não alimentos.

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Este segmento é um mercado muito ativo e concorrido mas que ainda tem muito espaço para se expandir.

Na medida que é algo muito ligado à cultura da sociedade, o processo não tem a velocidade de desenvolvimento que se espera dele. A educação para a coleta seletiva é a chave que destrava o volume de negócios.

Quanto ao desenvolvimento econômico do país, a embalagem serve para medir o grau em que ele ocorre, pois quanto mais se consome, mais se produz que, por sua vez, necessita de mais embalagens para conter, movimentar e transportar. Se queremos saber o tamanho da crise de um país, basta que se conheça a curva de desempenho dos fabricantes de embalagem de papelão e de PET.

Referências

  1. www.sestr.com.br
  2. http://www.abre.org.br/
  3. http://www.abipet.org.br/

http://www.abre.org.br/wp-content/uploads/2012/07/cartilha_meio_ambiente.pdf

Cenário logístico da reciclagem

O cenário mundial sobre a produção de bens e o tratamento dos resíduos sólidos, líquidos e gasosos, decorrentes da atividade industrial, além daqueles gerados pelo fim da vida útil do item produzido, está sintetizado no esquema abaixo.

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Fonte: autor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A industria de base extrai o produto da natureza e produz a matéria prima para a indústria de transformação. São exemplos as mineradoras que retiram os minérios, as fundições e laminadoras que transformam tais minérios em chapas de aço.  Esse é um ponto de elevado consumo de energia, água e outros insumos. A industria de base tem processos de apoio destinados a tratar os resíduos provenientes do seu processo principal de produção, restando um final ambientalmente adequado, como apregoa a legislação brasileira.

A indústria de transformação estruturada como ponto de encontro de diversos fornecedores, organizados em níveis (fornecedor do fornecedor da indústria), tem como partida a indústria de base e as fontes de energia e de outros insumos. Também aqui existem processos de apoio para se tratar os resíduos do processo produtivo. O tratamento da água utilizada é um exemplo. Quando o resultado permite, ela é restituída ao meio ambiente; caso não, ela passa para reservatórios ligados a redes de distribuição exclusiva para outros empregos na própria instalação.

O mercado consumidor, conceituado como a população economicamente ativa dentro de um espaço geográfico determinado, recebe uma enorme pressão para que compre. Essa pressão é sistematizada, a partir de, um processo estratégico de apoio na industria de transformação. Esse processo e conhecido com ” Marketing”. A atividade (representada pela seta amarela no esquema) estuda o mercado consumidor e fundamenta as ações de venda em cinco pontos principais:

  • o produto em si, design, funcionalidades, cores, desempenho, etc;
  • o preço, onde é indicado o preço que as pessoas aceitariam pagar em comparação com a planilha de custos da produção;
  • a segmentação desse mercado segundo critérios econômicos, sociais e geográficos;
  • a distribuição física do produto no território considerado
  • a propaganda e campanhas promocionais para a alavancagem das vendas.

Essa estrutura de suporte para as vendas determina uma enorme pressão de compra. Muitos e modernos recursos são utilizados para se manter em expansão os resultados da indústria.

Nesse ponto começa o nó da logística reversa. Dar destino as embalagens com as quais o seu produto foi protegido para chegar integro até você. Simples: retiro o produto de dentro da caixa de papelão, coloco o isopor e o plástico bolha de volta dentro da embalagem vazia e largo na calçada para os catadores levar. Chove torrencialmente por três dias!!! Ninguém aparece para levar e o seu resíduo foi ajudar a entupir os esgotos. Podemos piorar o quadro: o que fazer com o “produto velho”, que não é papelão?

Ressalto que no parágrafo que escrevi sobre a industria de transformação nada consta sobre um suporte de pós venda para sistematizar um processo de tratamento para o resíduo, reconvertendo-o até a industria de base para reaproveitamento. Observe a diferença de tamanho entre as setas vermelhas no esquema. Essa diferença representa a quantidade de resíduos que ficam abandonados, entulhando e poluindo a natureza.

Segundo a legislação brasileira a logística reversa é: “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”. (Lei 12.305 de 02/08/2010)

Como se vê, a destinação dos resíduos só pode ser uma “ambientalmente adequada”. Só não acontece porque esse processo de apoio ao tempo do pós venda, deveria ser, de alguma forma planificado pela industria de transformação. Esse poderia ser mais um nível de fornecedores da industria. Outra opção, ainda na mesma linha, seria sistematizar o suporte com fornecedores de serviço de manutenção, certificados pelo fabricante, de maneira a aumentar a vida útil do bem adquirido. Isso diminuiria a pressão sobre a natureza.

Enquanto isso, o Brasil anunciou em 2014 que teria a primeira fábrica da América Latina de reaproveitamento de material dos veículos sucateados, conforme foto abaixo.

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Continuamos, já em 2016, aguardando a tal fábrica

Referências

http://www.portalresiduossolidos.com/reciclagem-de-automoveis/

Retardar a obsolescência

Todas as coisas e os seres ficam velhos, quer por desgaste natural ou fadiga do material, quer pelo envelhecimento da tecnologia empregada para garantir o funcionamento. O computador, com a sua tecnologia, é um belo exemplo, onde o material empregado não chega a entrar em processo de fadiga, porém a sua tecnologia de funcionamento – principalmente a velocidade dos chamados processadores é aumentada a cada intervalo de 12 meses ou menos.

Determinados produtos não impõem grande esforço ao material de que são feitos e têm ou deveriam ter enorme durabilidade, mas não o têm. Assim, certos fabricantes, de acordo com a filosofia do consumo de massa, programam a obsolescência do seu produto a partir de:

  • tecnologia de materiais que reduzam custos de produção e de vida útil mais curta;
  • tecnologia de funcionamento prestes a ser substituída por outra já desenvolvida e aguardando o momento de entrar em novos projetos;
  • projetos de engenharia do produto que desconsideram ao máximo a opção de reparos;
  • marketing voltado para o “compre novo, não conserte”, conforme ilustra a figura abaixo:

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Como você pode perceber, ambas as formas de pressão, se fossem equilibradas, teríamos menor ameaça ao ambiente e à sustentabilidade da equação entre consumir e não agredir a qualidade de vida, reduzindo a velocidade de entulho do ambiente.  O desequilíbrio se estabelece na medida em que não se conserta mais nada e, ao mesmo tempo, é forte o apelo publicitário pela aquisição de unidade nova.

Uma proposta de reequilíbrio passa obrigatoriamente por estruturar o sistema de conservação dos bens, aumentando-lhes a vida útil.

Prezado leitor, tenho idade suficiente para ter  a oportunidade de viver o tempo em que era absolutamente normal encontrar pequenas e médias lojas de consertos, cuja atividade prolongava a vida da nossa geladeira  “Frigidaire” e televisão “Telefunken”, marcas da época. Minha alfabetização sempre foi acompanhada de uma iniciação profissional, onde se aprendia pequenos consertos domésticos e nos habilitava para trabalhar ou “ter” uma pequena oficina. Esse era o ambiente de sustentação da cultura de consertar e aproveitar bem o item que se comprava para a casa. Convenhamos, fundamento cultural das pequenas e medias empresas que, no Brasil, representam mais de 85% dos postos de emprego.

A manutenção, como atividade logística, requer a gestão dos seguintes fatores:

  • mão de obra
  • ferramental
  • peças de reposição
  • instalações
  • tempo.

Para cada um destes fatores deve existir uma rede (relação de clientes-fornecedores) com um custo que, como estamos ensaiando e a figura abaixo mostra, de 3,5% do preço de venda do produto, no caso uma bicicleta.

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Observe, caro leitor, que não custa caro assegurar-se da manutenção do bem comprado. Retardar o processo de obsolescência daquilo que compramos pode não ser conveniente sob a ótica de parecer alguém sempre atualizado, conforme valores repassados pelo marketing dos fabricantes. Sob a ótica de respeito e conservação do ambiente em que vivemos, essa é uma atitude inteligente e economicamente sustentável. Temos uma decisão de comprar menos e manter os postos de trabalhos, garantindo a vida econômica de muitas famílias, sem qualquer agravo ao nosso ambiente.

A logística do milagre

Todos nós, de alguma forma, creditamos e ou atribuímos  a um milagre  o sucesso ante o surgimento de determinados acontecimentos na nossa vida. Este é um texto que não tem a pretensão religiosa e tampouco de auto ajuda. Trata-se  de acreditar sobre algo que somos capazes de construir na nossa vida. Nós construímos tudo, mas à algumas coisas denominamos de milagre e, de imediato, atribuímos a sua autoria a um ente isolado em quem acreditamos.

Na verdade, ante ao que se apresenta, fazemos duas coisas: – pensamos sobre um objetivo a atingir; e providenciamos a logística necessária para que aconteça. Mesmo para os milagres é assim que funciona.

super heroi

A figura ao lado* mostra que somos 50% superação e fé (acreditamos naquilo de pensamos e executamos), somos super-heróis e 50% processo planificado dos diversos suportes materiais de de serviços para que a coisa aconteça.

No clamor da necessidade ou da identificação da grandeza do objetivo de vida a atingir, a maioria das pessoas nem consegue parar com uma caneta e papel na mão para listar as providências que precisa tomar e, muito menos lhes determinar uma ordem de execução. Esse momento é sempre cheio da emoção, onde o lado certo do cérebro, para as coisas de ordem prática, fica desligado.

Passado o momento da percepção da necessidade de chegar a um ponto, instintivamente começamos a redigir mentalmente aquilo que fazer. Um bom exercício para a constatação é eleger um caso passado e listar todas as providências de transporte, estoque, controle de documentação e serviços que você movimentou para dar suporte ao sucedido. Sempre incluo na minha listagem o tamanho e exatamente aonde, no conjunto das minhas crenças, tive que atualizar e, muitas vezes, dar um upgrade no meu sistema de fé.

Vou contar a você, caro leitor, uma experiência que vivi,  onde em meio a maior pressão psicológica que conheci, tive que estabelecer e centrar num objetivo de vida. O caminho para fazer acontecer tal objetivo requereu:

  • coleta de informações sobre profissionais de saúde muito especializados;
  • contratação desses profissionais e agendamentos de eventos;
  • muito transporte;
  • controle de execução e arquivamento temporário de exames de saúde;
  • revisão e atualização do plano de previdência;
  • dois meses de agenda diária em hospital com controle, transportes.
  • previsão financeira;
  • três anos de rotina mensal em laboratório e controle mensal de indicadores de saúde. E por ai vai.

Não se pode esquecer que tudo o mais que nos cerca não pára e que, apesar da centralidade requerida, a vida tem que continuar o mais próxima possível da normalidade .

Como todos, também tenho um sistema de crenças fundado numa religião. Mas, além dela e do criterioso planejamento e execução do suporte logístico com vista ao objetivo definido, fiz uma mudança radical na filosofia de vida, onde a harmonização e o reconhecimento do poder do verbo foram fundamentais para os 50% de super-herói. A figura* abaixo mostra o segredo que agora posso compartir.

seucaminho

Encerro afirmando que até mesmo a fé e o silêncio fazem parte do conceito da operação logística que dá suporte ao que intentamos realizar na nossa vida, quer de maneira natural e sequencial, quer por algo de grave emergência que venha a nos forçar uma revisão nos planos. Rotina ou contingência somos nós que construímos o nosso caminho, de preferência em segredo.

Credito das figuras

www.zazzle.pt 

O fornecedor é você

No início de tudo era só chorar que já corria todo mundo em volta com colo e leite gostoso da mamãe. Barriga cheia e um soninho, mas a fralda cheia incomodava: outro choro e pronto, minha fornecedora de serviço de limpeza das partes baixas já fazia o seu serviço. Agora sim, um bom sono. Você se comunicava tão bem que toda a rede de fornecedores ao seu redor (mamãe, papai, vovó e maninho) pareciam adivinhar as suas necessidades, quase se antecipavam a elas. Era só fornecer informações daquilo que precisava, de preferência bem alto e forte, e o mundo parava para lhe ouvir. Para atender algumas das necessidades, um fornecedor especializado era utilizado. As revisões e emergências de saúde são um bom exemplo disso. Com a escolha da pre-escola, o nível fundamental, o segundo grau e vem a opção por uma profissão a seguir.

A sua cômoda vida de fornecedor de informações começa a mudar: você vai se preparar para suprir a alguém, dentro da profissão que escolher. A figura abaixo mostra todo o esquema de funcionamento e a contínua mudança de papéis, dentro da rede logística da vida. Você esta se preparando para também ser um fornecedor de bens e ou serviços.

                                                                                                                                       ciclopaint                     Fonte: autor

O segredo é ser um bom fornecedor e, para isso, saber escolher a profissão e a ela se dedicar, desde o banco da escola, determina o seu sucesso. Quando você tem uma necessidade é importante que a saiba descrever com boa precisão. Isso fará com que escolha o melhor fornecedor da rede ao seu redor. A comunicação com ele se caracteriza pelo detalhamento na qualidade e na quantidade daquilo que lhe satisfará. Agora não mais funciona o gritar alto e forte.

O fornecedor escolhido deverá ser capaz de lhe ouvir, entender e traduzir a sua necessidade em termos da qualidade e quantidade do seu processo interno de produção da prestação de serviços ou do bem que oferece. A saída da produção e algo que lhe atende e o resultado é um cliente satisfeito. Lembrando, tudo aquilo que estou escrevendo sobre os dois atores (cliente e fornecedor) vale ao mesmo tempo para o leitor. Na rede logística da vida sempre estaremos em um dos papéis.

Planejar é preciso – os sonhos

Na primeira infância, brincar é o verbo que melhor sintetiza um dos principais objetivos no inicio da vida. Exercitar o imaginário é a ordem. Não existe qualquer preocupação com algum apoio que dê suporte ao plano que, assim como surge, desparece e é substituído por outro. Porém, os pais supridores, aos poucos estabelecem e mantêm uma rede de facilidades no entorno da criança. O atendimento àquelas necessidades básicas de segurança, conforto material e manutenção do corpo é realizado na casa da família, que faz parte da rede. O provimento de educação, conhecimento e cultura acontece com uma combinação e encontro de vários processos de apoio em mais um nó dessa rede, que normalmente é representado pela escola. A figura abaixo mostra a ideia de rede, onde o circulo vermelho pode representar a criança ou qualquer outra referencia para estabelecer o desenho de uma rede.

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Ainda aproveitando a figura, os pontos verdes, que representam os responsáveis diretos se ligam  ao ponto vermelho – nossa criança sonhadora. Cada um dos verdes têm a sua própria rede de azuis, que são os respectivos processos combinados para gerar a facilidade para o vermelho. Por exemplo: – a escola, bem simplificada, é o resultado da administração de um prédio, professores, funcionários e serviços.

Com o passar do tempo a criança vai assumindo a sua independência e a gestão das suas relações e necessidades dentro da rede. Chega o momento de escolher uma profissão que goste e que lhe garanta o sustento. O sonho passa a construir objetivos na vida e o planejamento das ações para chegar lá, uma realidade.

Sem perceber muito bem, o ser humano começa a inventariar, fazer um levantamento de tudo aquilo que tem de bom para encaminhar o seu projeto. Na sua lista, observa aquilo que lhe falta (fazer um curso extra, se preparar para um concurso, etc) e decide prover os apoios dos seus sonhos, identificando onde e como se fortalecer na rede logística da vida. Ele olha para as oportunidades e para as dificuldades que terá de enfrentar, toma um caminho e segue firme em direção ao sucesso.

Na terceira fase da vida surgem necessidades especializadas, para as quais, a rede lhe oferece fornecedores, com a respectiva estrutura própria, capacitados para atendê-las plenamente. São as redes de atendimento geriátrico, academias especializadas, a turma do lazer em grupo, etc.

Um abraço e até o próximo.